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A interpretação do texto Bíblico

Maurino dos Reis Pereira por Maurino dos Reis Pereira
30 de setembro de 2025
em Catequese
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A interpretação do texto Bíblico
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Com o objetivo de proporcionar uma concreta colaboração a quem deseja aprender um pouco mais sobre a Bíblia Sagrada, estaremos publicando nas próximas semanas uma série de quatro artigos sobre algumas importantes questões que servem de base para um estudo seguro e aprofundado deste tema. Os artigos serão os seguintes: 1- O que é a inspiração bíblica?; 2- Gêneros literários na Sagrada Escritura; 3- A formação do Cânon Bíblico; 4- A interpretação do texto bíblico.

Cada artigo foi elaborado de modo resumido, a fim de introduzir o leitor nos principais pontos introdutórios do estudo bíblico, mas sem a pretensão de ser exaustivo. A finalidade é justamente contextualizar, esclarecer e apontar caminhos para ulteriores descobertas que façam a leitura do texto sagrado ser realizada com maior proveito espiritual. Que Nossa Senhora D’Ajuda interceda junto a Deus por todos aqueles que, como o salmista, reza confiante: “Lâmpada para os meus passos é a tua palavra, e luz para os meus caminhos.” Salmos 119, 105.

“A glória de Deus é encobrir as coisas e a glória dos reis é investigá-las.” – Provérbios 25,2

A grande satisfação de um autor é ver o seu texto sendo lido e compreendido corretamente. Não é diferente quando falamos da Sagrada Escritura; Deus, autor principal, deseja que os homens conheçam e caminhem conforme a sua vontade, expressa nas linhas desse livro soberano. Se, porém, entender uma simples frase dita no cotidiano nem sempre é tão fácil, quanto mais difícil é interpretar um conjunto de livros como a Bíblia, que comporta em seu bojo escritos de vários autores, culturas, línguas e épocas diferentes.

Este presente artigo vai tratar sobre os princípios norteadores para uma boa interpretação bíblica. E por uma questão de ordem, abordará primeiramente algumas questões de natureza linguística, que são fundamentais ao ofício do intérprete de qualquer tipo de texto. Em seguida, serão expostos os princípios que a Igreja sempre considerou como seguros para se aplicar nas análises das Escrituras Sagradas.

Idiomas bíblicos

Para aquele que lê a Bíblia em sua língua vernácula – no nosso caso, a língua portuguesa – é preciso jamais esquecer que essa leitura está sendo feita com um texto traduzido, afinal de contas as versões originais foram escritas nas línguas hebraica, aramaica e grega.

Com certo exagero, reza um famoso ditado: “Quem traduz, trai”. De fato, até mesmo uma simples música quando traduzida dificilmente manterá a plenitude de significação pretendida pelo compositor. Toda tradução não deixa de ser uma espécie de interpretação, sobretudo quando se refere a textos extensos e profundos, porquanto nas partes da redação original que as expressões são mais confusas e dúbias, o tradutor escolherá por conta própria a visão que lhe parece mais sensata; é assim que nas várias traduções bíblicas podem ocorrer muitas vezes textos não apenas diferentes, mas até contraditórios. Os tradutores sempre deixam digitais em suas traduções, o que exige do leitor a necessidade de uma prudente depuração daqueles trechos mais “polêmicos”.

Agrava ainda mais a situação o fato das línguas bíblicas serem muito antigas e possuírem diferenças significantes para as línguas modernas. O hebraico, o aramaico e o grego foram os três idiomas usados na composição do texto sagrado; todos eles extremamente arcaicos e por isso é pertinente que sejam expostas aqui algumas considerações a respeito.

No HEBRAICO foram escritos todos os livros protocanônicos do Antigo Testamento. É uma língua semítica antiga e que até o século VII d.C. era escrita somente com consoantes (as vogais só existiam na pronúncia). As palavras hebraicas eram formadas de radicais com duas ou três letras, com a possibilidade de acréscimo do prefixos e sufixos. Uma simples palavras no hebraico original podia possuir várias significações quando traduzida, o que explica determinadas oscilações dos tradutores como no famoso caso do “Q R N”, que pode ser lido tanto como “KaRaN” (brilhar) quanto como “KeReN” (chifre). Moisés, que tinha o rosto a brilhar (qaran) é representado na arte ocidental com dois chifres (qeren), visto que S. Jerônimo, diante do termo “QRN”, interpretou “qeren” em lugar de “qaran” na passagem de Êxodo 34, 29. O texto hebraico hoje utilizado com vogais é chamado massorético (termo que significa tradição, provavelmente); foi um trabalho realizado entre o século VII e o X d.C. pela escola dos rabinos.

As letras do hebraico possuem uma forma mais ou menos quadrática e, assim como o árabe e algumas outras línguas semitas, ela é escrita da direita para a esquerda. Não há letras maiúsculas e minúsculas; todas as palavras são escritas no mesmo formato. A língua hebraica costumava utilizar as consoantes para identificar os números; isso gerava uma série de dificuldades nas indicações das numerações nos livros sagrados.

Na língua hebraica o superlativo era expresso mediante um genitivo: assim o Cântico dos Cânticos (o mais belo dos cânticos); o Santo dos Santos (o lugar mais santo); o céu dos céus (o mais alto dos céus). A tríplice repetição de uma palavra também era uma forma usada para expressar o superlativo (Santo, Santo, Santo).

No ARAMAICO foram redigidos trechos de livros protocanônicos do Antigo Testamento, como Esdras 4, 8-16, 18; 7, 12-26; Daniel 2, 4-7, 28; uma frase em Jeremias 10, 11 e duas palavras em Gênesis 31, 47; segundo alguns Padres da Igreja, o evangelho de S. Mateus também fora escrito na língua aramaica. O aramaico era a língua falada pelos judeus na época de Cristo, e era muito semelhante ao hebraico; não possuía termos adjetivos específicos para expressar os graus comparativo e superlativo, por isto se lê na tradução: “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos” (S. Mateus 22, 14), que com termos comparativos seria escrito assim: “maior é o número dos que são chamados do que o número dos escolhidos”.

No GREGO foram escritos os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento (com exceção de Eclesiástico, redigido originalmente em hebraico), e também os livros do Novo Testamento (com provável exceção do evangelho de S. Mateus). O grego era o idioma de um povo muito inteligente e permitia a seus falantes realizar as mais profundas abstrações filosóficas. Na Bíblia, aparece impregnado de semitismos, pois foi utilizado por escritores hebreus; o grego usado na escrita do Novo Testamento é chamado Koiné, era sua versão mais popular e não aquele modelo culto e refinado utilizado pelos poetas e filósofos.

Por fim, para exemplificar a influência das traduções no momento de interpretar o texto bíblico, é ilustrativo o famoso caso dos “irmãos do Senhor”. Está escrito em S. Mateus 13, 55: “Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? “. Muitos querem concluir deste texto que a Virgem Maria teve outros filhos, já que Tiago, José, Simão e Judas são chamados de irmãos de Jesus. Ora, era um costume dos hebreus designar como irmãos não só os que têm os mesmos pais, mas também os parentes mais próximos como primos e sobrinhos, pois na cultura hebraica antiga não se usava palavras próprias para designar todos os tipos de parentescos. Abraão chama Lot de irmão: “Peço-te que não haja contendas entre mim e ti, nem entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos” (Gênesis 13, 8). Mas Lot era sobrinho de Abraão, como atesta o seguinte texto: “Tinha Abrão setenta e cinco anos, quando saiu de Haran. Levou consigo Sarai, sua mulher, Lot, FILHO DE SEU IRMÃO, todos os bens que possuíam e as pessoas que tinham adquirido em Haran” (Gênesis 12, 4-5).  

Também Labão chama Jacó de irmão (Gênesis 29, 15), e no entanto Jacó era sobrinho de Labão (Gênesis 28, 1-2). Quando os textos dos evangelhos sobre os “irmãos do Senhor” são analisados de modo cuidadoso e são complementados com outros trechos dos quatro evangelhos, não resta dúvida que eles eram “parentes” (possivelmente, primos) de Jesus, e não irmãos de sangue. Não é objetivo deste trabalho entrar no mérito dessa questão teológica em si, que demandaria mais alguns parágrafos de aprofundamento. A citação dessas passagens quer apenas demonstrar que o texto bíblico, para ser bem entendido, precisa ser lido levando em consideração as complexidades de uma língua e de uma cultura muito antigas; caso contrário, haverá sempre conclusões equivocadas.

Figuras de linguagem na Escritura

É sempre oportuno recordar que a Bíblia, embora sendo Palavra de Deus, foi escrita na linguagem humana, e por isso não deixa de fazer uso dos fenômenos linguísticos correntes na época de sua composição. Assim como há na Sagrada Escritura a presença de gêneros literários diferentes, assim também há inúmeras figuras de linguagens que devem ser detectadas para a correta compreensão do texto.

Diante de um verso como “A minha mãe é uma rosa”, todos compreenderão que a frase não está afirmando literalmente que a mãe seja uma flor, mas que possui a singeleza, a beleza e o encanto da rosa. Igualmente na Escritura, quando Cristo se refere a Herodes como “essa raposa” (S. Lucas 13,32), não se deve compreender a palavra “raposa” em sentido literal. Ou ainda quando Ele diz aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra” (S. Mateus 5,13), e no Salmo 18,2 “O Senhor é a minha rocha”. Em todas estas três passagens estão expressos exemplos do uso de metáforas, ou seja, o emprego de uma palavra fora do seu sentido normal, para efeito de analogia (comparação).

Na oração que o Senhor ensinou, encontra-se o seguinte pedido: “O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje”. Aqui está claro o uso de uma metonímia, isto é, o uso de uma palavra que substitui outra, em virtude de uma correlação. A palavra “pão” nesse contexto vem a significar todas as coisas materiais de que o ser humano precisa.

Em S. Mateus 5,29 está escrito: “Por isso, se o teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é melhor para ti que se perca um dos seus membros, do que todo o seu corpo ser lançado na geena”. Neste exemplo, Cristo está fazendo uso de uma hipérbole, que é uma expressão usada para imprimir exagero proposital, visando enfatizar uma verdade. Nesse sentido, Cristo não estava legalizando a mutilação do próprio corpo, mas realçando a importância do auto sacrifício para combater o pecado. As hipérboles são comuns na Bíblia assim como são comuns na atualidade, por isso sabemos que não há morte eminente quando alguém afirma que está “morrendo de sono”; também é uma hipérbole.

Em toda a Sagrada Escritura pode-se constatar o uso frequente de muitas outras figuras de linguagens, e se o leitor não estiver atento poderá se confundir e fazer uma compreensão diferente da que pretendia o autor sagrado. Também é preciso que o leitor esteja atento às palavras polissêmicas (que possuem vários significados). Exemplo de polissemia na Língua Portuguesa: Soltavam no quintal, à noite, dois cachorros BRAVOS. (Ferozes); O BRAVO índio morreu lutando. (Heroico, valente); Por que ficou tão BRAVO com os rapazes? (Irado, colérico); Àquela hora, o mar ficava muito BRAVO. (Revolto, agitado). Também nos idiomas antigos há o fenômeno da polissemia, e todo cuidado será pouco na hora de interpretar os textos lidos.

Métodos modernos de interpretação

Em matéria de interpretação bíblica, têm surgido modernamente alguns métodos de pesquisa e abordagem. Dentre eles, o principal chama-se método histórico-crítico, que consiste basicamente na decomposição dos textos bíblicos para distinguir suas cronologias e as diversas fontes que originaram a sua redação. Procura elucidar os processos históricos da produção do texto com base em critérios científicos (históricos, arqueológicos, sociológicos e antropológicos).

Muito embora ter elementos importantes que colaboram na interpretação bíblica, o método histórico-crítico tende a ser uma abordagem, no mínimo, perigosa. Os expoentes desse método costumam usá-lo para além do desejável, reduzindo tudo aos aspectos humanos do texto, transformando a Sagrada Escritura numa colcha de retalhos e esvaziando o seu conteúdo espiritual. Esse método tem a tendência de maximizar os resultados dos dados arqueológicos, o que por si só já é um grande equívoco, levando-se em consideração que as pesquisas arqueológicas são passíveis de interpretações falsas, podendo ser refutadas inclusive por outras pesquisas arqueológicas mais avançadas.

Também é uma prática comum entre os adeptos do método histórico-crítico a negação da existência de vários personagens bíblicos e de vários eventos miraculosos que ali são narrados. Obviamente, se os critérios das análises são puramente técnicos, será uma consequência lógica negar aquilo que ultrapassar a capacidade humana de entendimento. Nessa ordem de ideias, muita coisa é relegada ao campo da imaginação dos autores, que segundo esses críticos, construíam narrativas visando transmitir lições espirituais e morais em perspectivas teológicas.

É verdade que a Bíblia também precisa ser estudada nas circunstâncias externas de sua gênese, mas todas as minúcias derivadas desses estudos devem ser colocadas a serviço da elucidação do texto, e não de sua quase negação. Ou seja, se por um lado não se deve negar ou desprezar os informes de natureza histórica, antropológica e arqueológica, por outra lado é preciso considerar a primazia do texto, sem o qual nem se pode falar em Bíblia. O uso exacerbado do método histórico-crítico transforma a análise do texto da Escritura em análise das teses de sua composição; quer dizer, torna-se um estudo de orientação centrífuga (afastando-se do núcleo central), enquanto tradicionalmente vigorou na Igreja o estudo de orientação centrípeta (que atrai para o núcleo central).

Ainda com relação ao método histórico-crítico, deve-se dizer que ele pode enriquecer as pesquisas bíblicas, sobretudo quanto ao sentido literal do texto, mas tudo isso desde que não seja o único nem o principal meio de abordagem, e sim uma ferramenta a mais de trabalho. Atualmente nos cursos de Teologia, as disciplinas bíblicas têm sido ministradas quase sempre por mestres que exploram à exaustão esse método, o que redunda em alunos com pouquíssimos conhecimentos do texto bíblico em si, pois passaram os anos na faculdade estudando na maior parte das vezes apenas as teses sobre a sua composição; o prejuízo espiritual e teológico que isso causa é incalculável.

Por outra frente de atuação, existe a chamada leitura fundamentalista, que deseja interpretar de modo literalista todos os detalhes da Escritura. É certamente uma abordagem deturpada, pois a Bíblia não surgiu como um asteroide isolado no espaço, sem contato com o ambiente social e histórico, pelo contrário, a escrita bíblica é situada na marcha da história humana. O fundamentalismo aceita a letra e fecha a porta a tudo o mais, o que torna esse tipo de leitura incapaz de acessar o sentido total da Escritura, pois o próprio São Paulo havia advertido que “a letra mata” (II Coríntios 3,6).

O estreitamento de visão provocado pela leitura fundamentalista da Bíblia faz surgir interpretações das mais extravagantes, oferecendo assim matéria ao ridículo e propagando a falsa ideia de que o cristianismo seja uma religião que rejeita os esforços da razão.

Enfim, os vícios que surgem no seio do método histórico-crítico, bem como aqueles advindos da leitura fundamentalista traduzem com perfeição as duas principais patologias da razão: hiper-racionalismo e irracionalismo. O hiper-racionalismo é a razão narcísica; o irracionalismo é a razão niilista. Ambas as posições são contrárias à doutrina católica, que vê tanto na fé quanto na razão caminhos legítimos e necessários para conduzir os homens à verdade.

A interpretação bíblica na Patrística

Nos seis primeiros séculos da Igreja, entre perseguições e heresias, homens cristãos proeminentes começaram a desenvolver reflexões teológicas e espirituais baseadas na Tradição dos Apóstolos e na Escritura Sagrada. É costume classificar esses homens em dois grupos: os “Padres da Igreja” e os “escritores eclesiásticos”. Para ser contado entre os “Padres da Igreja” (ou “Pais da Igreja”) são necessárias três condições: ortodoxia da doutrina, santidade de vida e comunhão com a Igreja. Com isso, nomes importantes como Orígenes e Tertuliano, embora tenham escrito obras de grande valor, são reconhecidos apenas como “escritores eclesiásticos” (tendo faltado uma ou mais condições para serem chamados de pais da Igreja).

A expressão “Pais da Igreja” se explica pelo fato desses homens terem cuidado doutrinariamente da Igreja em seus primeiros passos. O conjunto das obras desses autores é chamado de Patrística, e o período patrístico se divide em algumas fases, a saber: a dos Padres Apostólicos, que começa imediatamente após a era dos Apóstolos e segue até o fim do segundo século (São Clemente Romano, Santo Inácio de Antioquia, São Justino, dentre outros); a segunda fase é a dos Padres Apologistas, que começa no início do século terceiro e segue até a metade do século quinto (Santo Atanásio, Santo Agostinho, São Gregório de Nissa, dentre outros); e por fim, a chamada fase da maturidade, que vai da metade do século quinto até o final do século sexto (São Gregório Magno, São Bento de Núrcia, São Máximo Confessor, dentre outros). Essa divisão é meramente metodológica, a fim de facilitar a compreensão geral, pois há controvérsias com relação até mesmo à data do fim do período patrístico. Os Padres que escreveram em latim são geralmente chamados de Padres Latinos (ocidentais), e aqueles que escreveram em grego, de Padres Gregos (orientais).

Os Padres da Igreja tinham formação clássica e foram grandes estudiosos da Sagrada Escritura; antes de comentarem os textos, meditavam e “ruminavam” as passagens em suas orações pessoais. O amor que devotavam às Sagradas Letras e a importância que a elas concediam era tamanha, a ponto de afirmar São Jerônimo: “Desconhecer a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Eles estavam situados numa época que os faziam perceber a necessidade de relacionar o Novo ao Antigo Testamento, surgindo assim o que ficou conhecido como “tipologia”, que é a identificação de personagens e acontecimentos do Antigo Testamento como representações simbólicas e prefigurações das realidades do novo Testamento; de algum modo a tipologia já estava presente nos escritos de São Paulo (Adão aparece como tipo do Cristo em I Coríntios 15, 45, por exemplo). Os Padres da Igreja (Santo Ireneu e outros) viam Eva como tipo de Maria, a Arca de Noé como prefiguração do batismo, etc, e todas as tipologias favoreceram o estabelecimento da visão de conjunto da Escritura, que deveria ser interpretada como uma só obra, inspirada por Deus e entregue para a Igreja.

A compreensão da Escritura no período patrístico partia de Cristo como referência absoluta e auge de toda Revelação; é nessa linha que os textos sagrados são por eles interpretados. A importância da Patrística para a interpretação bíblica é incontestável porque foram esses homens que consolidaram a doutrina da Igreja, foram eles a vencer as primeiras heresias e foram eles as testemunhas mais próximas da Escritura e da Tradição. Não foi sem razão que o Papa Urbano IV solicitou a Santo Tomás de Aquino que fizesse um compilado dos comentários dos Padres da Igreja aos Evangelhos, donde nasceu a Catena Aurea (Cadeia dourada), uma exposição contínua, versículo por versículo, de comentários dos Pais da Igreja aos quatro evangelistas. Santo Tomás usou comentários de 57 autores gregos e 22 autores latinos, mas tudo disposto de um modo como se fosse um único autor. É uma obra brilhante e de inestimável valor para todos aqueles que desejam compreender com profundidade os ensinamentos evangélicos.

Na Carta Encíclica “Divino Afllante Spiritu”, o Papa Pio XII aconselhou: “Poderá o exegeta católico auxiliar-se egregiamente do estudo inteligente dos escritos em que os santos Padres e doutores da Igreja e os ilustres intérpretes das épocas passadas comentaram os Livros Santos. Pois que eles, bem que talvez menos fornecidos de instrução profana e de ciência linguística do que os intérpretes dos nossos dias, contudo pelo lugar que Deus lhes deu na Igreja, distinguem-se por uma suave intuição das coisas celestes e por uma admirável perspicácia com que penetram até às mais íntimas profundidades da divina palavra e tiram à luz quanto pode servir para ilustrar a doutrina de Cristo e promover a santidade da vida”. O que o Papa está ensinando nada mais é do que a sabedoria ilustrada naquela antiga expressão latina “Nanos gigantum humeris incidentes” (anões sobre os ombros de gigantes). Para o progresso do conhecimento seria uma tolice querer começar tudo do zero, sem aproveitar as descobertas que já foram feitas anteriormente. Assim também ocorre no âmbito da interpretação bíblica, é preciso saber beneficiar-se das riquezas legadas pelos Padres da Igreja e os Santos Doutores, que são verdadeiros gigantes da fé e comentaram com zelo e profundidade os textos bíblico. O Papa Leão XIII, na Encíclica “Providentissimus Deus” resumiu de modo categórico: “Ora, os Santos Padres, por quem, ‘depois dos Apóstolos, a Santa Igreja cresceu como plantadores, regadores, construtores, pastores e nutridores’, são a autoridade suprema, sempre que qualquer testemunho bíblico, como pertencente à fé ou à doutrina moral, é explicado por todos de uma só e mesma maneira: pois, pelo próprio consentimento deles, fica claro que foi transmitido pelos Apóstolos de acordo com a fé católica”. Em visita ao Brasil, no ano de 1980, o Papa João Paulo II afirmou que “Os melhores intérpretes das Sagradas Escrituras são os Padres da Igreja“. Definitivamente, não é possível conhecer com profundidade a Sagrada Escritura sem conhecer os seus comentários feitos pelos Padres da Igreja.

Apesar da vastidão e do imenso valor das obras completas dos Padres da Igreja, elas obviamente não esgotam as riquezas da Sagrada Escritura, por isso que na Encíclica “Divino Afllante Spiritu”, o Papa Pio XII pontuou que “Com fundada razão podemos esperar que os nossos tempos contribuam também com a sua quota nova para uma interpretação mais completa e exata das Sagradas Escrituras”.

Sendo assim, o leitor atual da Bíblia tem a possibilidade de se enriquecer com a grandiosidade da Patrística e ao mesmo tempo pode fazer um bom uso dos conhecimentos mais apurados proporcionados pelas pesquisas históricas e arqueológicas modernas. Usando corretamente os bons princípios, a leitura e a compreensão da Escritura serão frutuosas e proporcionarão progresso espiritual.

Os sentidos da Sagrada Escritura

Ao leitor da Sagrada Escritura, atento aos perigos de origem linguística e munidos com os auxílios da Patrística, cabe indagar o sentido genuíno da Bíblia. Tradicionalmente na Igreja, distinguem-se os sentidos da Escritura em literal e espiritual. Sendo que o sentido espiritual se subdivide em alegórico, moral e anagógico.

O sentido literal é aquele que o autor quis transmitir de modo imediato. Toda passagem da Escritura possui um sentido literal que é fundamental para sua compreensão direta, e como atesta Santo Tomás de Aquino “O sentido espiritual sempre se fundamenta sobre o sentido literal e dele procede”. Mas não se pode confundir sentido literal com sentido literalista, pois o sentido literal pode ser próprio ou metafórico. Buscar o sentido literal do texto é buscar aquilo que o autor quis dizer enquanto escrevia para os seus primeiros destinatários, sem preocupar-se com a extensão de sentido que aquele mesmo texto tomaria ao longo do tempo.

O sentido espiritual, por sua vez, baseia-se no sentido literal e é explicado pelo fato do Espírito Santo, autor principal da Bíblia, guiar o autor humano de modo que as expressões carreguem uma verdade da qual nem mesmo ele perceba toda a profundidade. Como já dito, o sentido espiritual é subdividido em alegórico moral e anagógico. O sentido alegórico é aquele que aponta todo texto bíblico para a sua compreensão em Cristo, realização plena do projeto único de Deus para a salvação da humanidade. O sentido moral indica ter nos textos da Escritura verdades morais que conduzem os homens ao reto agir. O sentido anagógico concentra em ver nos textos a apresentação das realidades eternas a que somos chamados a viver (o céu).

Atualmente, no estudo da interpretação bíblica são comuns os termos “hermenêutica” e “exegese”, de significações parecidas. Ambas tratam sobre o ofício de interpretar; a hermenêutica, enquanto a aplicação dos princípios para a correta interpretação; a exegese, enquanto a prática de retirar do texto aplicações teológicas. A teoria tradicional com a confluência dos sentidos da Escritura consegue com maior eficácia desdobrar a metodologia da verdadeira interpretação bíblica, permitindo tanto ao hermeneuta quando ao exegeta aprofundarem no mistério da Palavra escrita de Deus.

Esses quatros sentidos da Bíblia Sagrada formam um todo pelo qual o leitor consegue atingir a compreensão correta. São famosos os seguintes versos medievais, que conseguem compendiar com precisão essa realidade: “Littera gesta docet, quid credas alegoria. Moralis quid agas, quo tendas anagogia” (A letra ensina os fatos; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves tender).

A Igreja, intérprete oficial da Escritura

A Bíblia Sagrada tem Deus por autor principal e por este motivo a sua mensagem está isenta de erros, mas esse conteúdo salutar nem sempre é tão fácil para ser compreendido, como atestava o próprio São Pedro: “Também nosso irmão caríssimo Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, como aliás faz em todas as suas cartas em que fala disto, nas quais há alguns pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes na fé adulteram (como também as outras Escrituras) para sua própria perdição” (I S. Pedro 3, 15-16). Segundo o Apóstolo, havia nas cartas de São Paulo alguns pontos de difícil compreensão, e é natural que fosse assim, levando em consideração as dinâmicas singulares e não raramente imprecisas da linguagem humana. Ora, se Deus destinou uma carta à humanidade, se essa carta foi entregue pela Igreja, e se a mensagem dessa carta precisa ser interpretada, pode-se concluir que é a essa mesma Igreja que se deve recorrer como à sua legítima intérprete. E mais, não faria nenhum sentido a Escritura ser infalível, se para interpretá-la não houvesse uma autoridade igualmente infalível, é por isso que Cristo constituiu “a Igreja do Deus vivo, coluna e firmamento da verdade” (ITimóteo 3, 15).

A infalibilidade da Igreja provém da infalibilidade do próprio Deus, que não pode errar e nem ensinar o erro. Ora, para crer em Cristo é preciso crer no anúncio que Igreja realizou e realiza, portanto, não há como separar a fé em Cristo da fé na Igreja. Para os que creem e conhecem a Sagrada Escritura não será difícil concluir tal verdade, mas quem não possui uma base segura de compreensão teológica terá uma dificuldade para fazer essa relação, porque na verdade o próprio conceito de “Igreja” que se costuma usar atualmente sofreu um empobrecimento semântico. A palavra “Igreja” sempre foi entendida como o Corpo Místico de Cristo (Colossenses 1, 18), a instituição que Ele mesmo quis fundar (S. Mateus 16, 18) com o ofício de guardar e anunciar a sua doutrina, bem como santificar os fiéis mediante os sacramentos e governar a fim de que todos sejam um só corpo (I Coríntios 12, 12). Atualmente, entende-se igreja meramente como um espaço físico onde se realiza atividades religiosas, ou o que é muito pior, a palavra igreja se refere a qualquer grupo ou seita que resolve por conta própria criar um segmento religioso “cristão” independente. Ora, olhando por este viés realmente será impossível compreender a grandiosidade da missão que Nosso Senhor conferiu à sua verdadeira e única Igreja.

No entanto, a Igreja foi fundada por Cristo como continuadora de sua missão, por isso ela é única, indivisa e visível. Quando se quer prescindir da Igreja, todas as demais realidades do cristianismo desabam, porque não é possível viver coerentemente a fé sem estar enxertado na árvore frondosa sob a qual todos os cristãos precisam se abrigar. O protestantismo surgiu no século XVI e propôs a leitura e compreensão da Bíblia sem a autoridade da Igreja, o que ocasionou uma fragmentação sem fim nas suas doutrinas, a ponto do próprio Martinho Lutero admitir: “Há tantas seitas e crenças quantas cabeças. Um não terá nada a fazer com o batismo; outro nega o Sacramento; um terceiro acredita que há outro mundo entre este e o último dia. Alguns ensinam que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros dizem aquilo. Não há rústico, por mais rude que seja, que, se sonhar ou fantasiar alguma coisa não deva ser o sussurro do Espírito Santo, e ele próprio um profeta” (Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 61).

Lutero chutou a autoridade da Igreja e fundou a sua própria igreja, que outros resolveram chutar também e fundar outras, e mais outras, e mais outras. É o chamado efeito dominó. Se não há Igreja, não há estabilidade. E se Lutero admirou-se lá em sua época da quantidade de doutrinas diferentes que estavam surgindo, o que ele diria hoje? Mas tudo foi fruto da sua própria soberba, ao querer transformar a Escritura numa realidade isolada da Igreja.

Com o livre exame da Escritura prescindindo da interpretação oficial da Igreja, o protestantismo ignora uma sentença bíblica claríssima: “Atendei antes de tudo a isto: que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular” (II S. Pedro 1, 20). É a própria Bíblia dizendo que NENHUMA profecia da Escritura pode ser interpretada pessoalmente; se é assim, quem seria então a responsável por interpretar oficialmente as Sagradas Letras? A Igreja fundada pelo próprio Cristo, essa é a resposta.

Para os teólogos protestantes, a Bíblia é auto explicativa, ou seja, um texto vai interpretar um outro que seja mais difícil, e sendo assim, não há necessidade de nenhuma autoridade que defina uma interpretação verdadeira. Mas isso jamais funcionou, e é fácil provar. Os protestantes possuem a mesma bíblia, e todos se dizem fiéis observadores de sua doutrina, porém, cada denominação compreende o texto de modo completamente diferente da outra. Os presbiterianos batizam crianças, os batistas não batizam; ambos se justificam com a Bíblia. Os luteranos acreditam na presença real de Cristo juntamente com a substância do pão e do vinho, enquanto os calvinistas só acreditam numa presença espiritual; ambos se justificam com a Bíblia. Os adventistas acreditam que se deve guardar o sábado como um dia de descanso em obediência ao mandamento de Deus, para os metodistas é o domingo o dia do Senhor; ambos se justificam com a Bíblia. Os Testemunhas de Jeová acreditam que Jesus não é Deus, enquanto os anglicanos afirmam a divindade de Cristo; ambos se justificam com a Bíblia. Os exemplos poder-se-iam multiplicar quase ao infinito, tamanhas são as discrepâncias doutrinárias dos protestantes, sendo que todos eles afirmam estarem baseados na Escritura. Ora, isso por si só é prova mais do que suficiente que a Bíblia isolada da Igreja é transformada num joguete das imaginações de quem a lê. O Apóstolo estava coberto de razão: não pode haver interpretação pessoal do texto bíblico.

Com isso, não está se dizendo que os fiéis não podem ler a Escritura e buscar compreendê-la, mas que deve fazê-lo levando-se em consideração à interpretação da Igreja quando ensina as suas doutrinas. Em nenhum momento da história a Igreja fez interpretação versículo por versículo da Escritura, mas naqueles textos onde ela baseia os seus ensinamentos, o fiel não é livre para ter uma interpretação que seja contraditória. O grande perigo para o intérprete bíblico é justamente na hora de extrair as doutrinas da Escritura, pois o modo de escrever dos autores sagrados não obedeciam a um modelo parecido a de uma receita, onde se vai para buscar as informações todas mastigadas. O texto bíblico é quase sempre narrativo, então as doutrinas estão ali implicitamente, o que exige bastante cuidado para deduzi-las. Daí que a Igreja deseja que os fiéis se aproximem da Escritura, mas sem a presunção de concluir definitivamente dela as doutrinas que eles mesmos julgarem corretas, pois esse papel não é particular, e sim do próprio Magistério da Igreja.

No protestantismo a interpretação da Bíblia é uma espécie de peteca. Cada denominação dá a sua palmada e a interpretação fica sempre no ar, suspendida, sem fundamento, sem estabilidade, sem certeza e sem nenhuma garantia. O pobre protestante precisa discernir a verdade na aluvião de opiniões contraditórias que se sucedem nos fastos do pensamento de cada fundador de denominação. Disso nasce a divisão, um traje que veste o protestantismo sob medida.

Os protestantes argumentam também que o Espírito Santo é o intérprete da Escritura, e por isso só Ele pode interpretá-la. Isso é a mais genuína verdade, porém o Espírito Santo é dado a cada um conforme a missão que se exerce, e como a própria Bíblia ensina, não é missão particular de ninguém interpretar as profecias da Escritura. Portanto, ainda que cada pessoa peça as luzes do Espírito Santo antes de ler as páginas sagradas, essas luzes serão dadas, mas não para que dali o leitor possa extrair definições doutrinárias, e sim para que através do texto bíblico ele possa progredir na fé, na esperança e na caridade. Tanto é assim que cada teólogo, cada pastor e até cada fiel protestante certamente oram ao Espírito Santo para ler a Bíblia, mas se cada um deles, após a leitura, é perguntado sobre os variados temas doutrinários, todas as respostas serão contraditórias. Ora, e o Espírito Santo? Seria ele contraditório? Claro que não, mas a verdade é que para a compreensão doutrinária da Bíblia, o Espírito Santo ilumina a Igreja, e sem essa luz o leitor ficará lobrigando, vendo imagens que são frutos mais de sua imaginação do que da realidade.

A Igreja, insista-se, é a verdadeira intérprete da Bíblia. Assim como ela discerniu os livros que deveriam fazer parte do cânon sagrado, ela possui as prerrogativas que Cristo lhe concedeu quando prometeu “As portas do inferno não prevalecerão” (S. Mateus 16, 18). Por tudo isso, a interpretação bíblica não pode estar presa no arbítrio subjetivo, nas idiossincrasias pessoais, ao gosto individual, nem às fantasias delirantes com suas filhas lunáticas.

O subjetivismo com seu espírito opiniático deve ceder lugar à história bimilenar da Igreja de Deus, que marcha pelo tempo escudada pelo Espírito Santo em direção ao céu, onde realizará suas bodas eternas com Cristo, seu Noivo (Apocalipse 19, 7).

Conclusão

Mediante aquilo que foi exposto neste artigo, resta concluir que a Palavra de Deus escrita não caiu do céu sem as influências dos seus autores humanos e do ambiente de sua composição. Por conta disso, para conhecê-la profundamente é preciso levar em conta as questões históricas, sociais e linguísticas em que ela se insere.

Também se pode concluir desse texto que a contribuição patrística é decisiva para uma interpretação profícua da Escritura, pois os Padres da Igreja são aqueles homens que guiaram a Igreja em seus primórdios, tendo alguns deles inclusive conhecido os Apóstolos de Nosso Senhor.

A Bíblia Sagrada, para ser interpretada, precisar levar em consideração à unidade da Escritura (tanto o Antigo quanto o Novo Testamento apontando para Cristo). Precisa também ser lida dentro do contexto da Tradição da Igreja, sem imaginar que cada leitor é livre para extrair suas próprias doutrinas do texto, já que a ninguém compete interpretar pessoalmente as profecias da Escritura.

Ler a Bíblia não significa necessariamente conhecer a Bíblia. Portanto, o leitor sério precisa buscar ter a prudência de ver na Escritura uma carta onde Deus segreda verdades à sua Igreja e a todos em particular quando inseridos no mesmo Corpo Místico de Cristo. A leitura pode ser espiritual, meditativa, devocional ou teológica, mas em todos esses tipos diferentes de leitura o fiel não pode ceder à tentação de tratar a Bíblia como um livro qualquer, esquecendo que nela Deus mesmo se faz revelar através da linguagem humana.

Bibliografia consultada:

  1. Bíblia Sagrada, traduzida da Vulgata e anotada pelo Pe. Matos Soares, 6a. edição, TIP. Sociedade de Papelaria, LDA. Todas es citações da Sagrada Escritura contidas no texto foram feitas com base nesta edição.
  2. Carta Encíclica “Providentissimus Deus”, do Papa Leão XIII (18 de novembro de 1893).
  3. Carta Apostólica “Quoniam in re”, do Papa Pio X (27 de março de 1906).
  4. Carta Encíclica “Spiritus Paraclitus”, do Papa Bento XV (15 de setembro de 1920).
  5. Motu Próprio “Bibliorum Scientiam”, do Papa Pio XI (27 de abril de 1924).
  6. Carta Encíclica “Divino Afflante Spiritu”, do Papa Pio XII (30 de setembro de 1943).
  7. Capítulo III da Constituição Dogmática “Dei Verbum”, 18 de novembro de 1965 (Concílio Vaticano II).
  8. Discurso do Papa Paulo VI aos membros da Pontifícia Comissão Bíblica (14 de março de 1974).
  9. Discurso do Papa João Paulo II aos membros da Pontifícia Comissão Bíblica (26 de abril de 1979).
  10. “A interpretação da Bíblia na Igreja”, Pontifícia Comissão Bíblica (15 de abril de 1993)
  11. Josef Scharbert, Introdução à Sagrada Escritura, Rio de Janeiro, Editora Vozes LTDA, 1962.
  12. Joseph A. Fitzmyer, A Bíblia na Igreja, São Paulo, Edições Loyola, 1997.
  13. Luigi Padovese, Introdução à Teologia Patrística, Edições Loyola, 1999
  14. Lúcio Navarro, Legítima Interpretação da Bíblia, Editora Santa Cruz, 2017
Maurino dos Reis Pereira

Nasceu em 20 de dezembro de 1990. Formado em Filosofia no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil, também cursou 3 anos de Teologia e atualmente é estudante de Direito na Faculdade Anhanguera de Teixeira de Freitas.

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